Com deficiência visual o acadêmico prepara seu TCC com apoio de atendimento especializado da Pestalozzi


A vida de James da Silva Souza, de 28 anos, de Caldas Novas, possui caráter épico, tanto pela bravura frente aos desafios que a vida e a deficiência lhe impuserem, quanto aos seus planos de conquistas pessoais e também ao seu senso de altruísmo, pois mesmo com todos os obstáculos que lhe atravessam, ele traça metas para poder ajudar as pessoas quando for advogado.

Foi aluno na Escola Municipal Santa Efigênia e disse que sua visão estava bem debilitada, e por isso enxergava apenas do lado direito, e que pedia aos professores que escrevessem no quadro apenas do lado que ele enxergava. Com uma doença congênita na visão, disse que só enxergava 30% e que em 2009 ficou totalmente cego.

“Foi o período mais difícil na minha vida, ter que enfrentar esse desafio. Em junho agora vão ser 10 anos, naquela época tive que me submeter a uma cirurgia, sabendo que não iria enxergar mais, tudo isso para aliviar as dores que sentia em razão da doença”, disse.

Cursando o último ano do curso de Direito da Unicaldas, James está elaborando seu TCC com apoio do AEE (Atendimento Educacional Especializado) da Pestalozzi, que é coordenado pela Profª Ana Lúcia. O tema selecionado é sobre os desafios que a pessoa com deficiência visual se depara na cidade de Caldas Novas.

Ao formalizar os atendimentos com James, Ana Lúcia disse que uma das primeiras solicitações do estudante foi de uma ajuda paras leituras que não fossem em Braille. Segundo o acadêmico, no sistema de escrita para os deficientes visuais não lhe atendia na leitura dos livros utilizados no curso. Ele citou o exemplo do Código Civil, que não possui versão em Braille, da mesma forma, todas as outras obras que são necessárias ao Direito.

A professora ao saber que ele tinha um notbook que havia ganhado do Prefeito Evandro Magal, e que não estava em uso, pois não havia recursos que o auxiliasses, foi procurar ajuda para esse impasse. Foi nesse momento que entra a participação de Eduardo de Oliveira, Analista de Sistemas da SEMEL. Ana Lúcia o acionou e pediu para que fosse feitas adaptações para James pudesse acessar textos com leitura de voz. Foram instalados dos softwares no PC para resolver a questão. O primeiro, de acordo com Eduardo, apresentou algumas falhas, porém o segundo foi capital para que James tivesse acesso a todo material de leitura.

Ana Lúcia na condição atender aos estudantes na modalidade especial, disse que a função do AEE é disponibilizar serviços e recursos de acessibilidade e estratégias que eliminem ou minimizem as barreiras dos alunos frente à participação na sociedade. E por isso o atendimento ao James, instaura no próprio departamento um senso de aprendizagem mútua, tanto para o estudante quanto ao AEE.

De olho na OAB

 Desta forma, James afirma que está conseguindo estruturar sua pesquisa para finalizar o curso e também se prepara para a primeira etapa das provas da OAB que iniciam a partir de outubro. Para ele, que almeja trabalhar na área cívil, quer também atuar em benefício de pessoas que não têm poder de acesso ao judiciário.